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Diário de Maringá

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Um ano após o tornado que tragicamente ceifou vidas e deixou marcas na cidade paranaense

Na pequena cidade de Rio Bonito do Iguaçu, que abriga cerca de 14 mil habitantes no coração do Paraná, as marcas da tragédia ainda estão frescas na memória dos moradores. No dia 7 de…

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Na pequena cidade de Rio Bonito do Iguaçu, que abriga cerca de 14 mil habitantes no coração do Paraná, as marcas da tragédia ainda estão frescas na memória dos moradores. No dia 7 de novembro de 2025, um tornado de categoria F4 devastou a região, deixando um rastro de destruição que levou a vida de seis pessoas e feriu mais de 800. Wendi Luana Back, uma das moradoras afetadas, compartilha seus sentimentos confusos daquela noite: “Agradeci a Deus pela vida, mas ao mesmo tempo entrei em desespero ao ver tudo destruído”, recorda.

O tornado, que atingiu velocidades entre 332 km/h e 418 km/h, destruiu cerca de 90% das edificações na cidade. Wendi e seu marido, Emerson Vargas, estavam celebrando a gravidez de sua filha, Mariana, quando o temporal começou. Em meio ao pânico, a família buscou abrigo no banheiro, o único local seguro em meio à tempestade. Após o caos, a realidade de ver sua casa reduzida a escombros os forçou a recomeçar do zero.

Com a casa agora reconstruída, Wendi e Emerson enfrentam não apenas a reconstrução física, mas também as cicatrizes emocionais que o tornado deixou. “A cada chuva mais forte, lembramos do que vivemos. É um ano de gratidão pela vida, mas também de dor”, desabafa o casal.

O cenário em Rio Bonito do Iguaçu é de reconstrução constante. Mais de 60 mil toneladas de entulho foram geradas, e os esforços para limpar e recuperar a cidade continuam. O governo, com um investimento de aproximadamente R$ 110 milhões, tem se concentrado em obras de infraestrutura, enquanto os moradores se adaptam a uma nova realidade, onde as casas de madeira deram lugar a telhados de zinco.

O luto é palpável entre os moradores. Marilda Carvalho Risso, que estava fora da cidade na noite do tornado, perdeu seu marido, Claudino, que ficou soterrado na casa em que viviam. O trágico desfecho de sua história ressalta a dor ainda viva na comunidade. “Sorrio por fora, mas por dentro é diferente. Acredito que com o tempo a dor vai amenizar”, reflete.

A força do tornado não se limitou a Rio Bonito do Iguaçu. No mesmo dia, outros dois tornados atingiram diferentes cidades do Paraná, tornando 7 de novembro um dia marcado pela destruição. Especialistas explicam que o fenômeno foi gerado por um ciclone extratropical, que criou condições climáticas propícias para o desenvolvimento de supercélulas, levando a um dos eventos climáticos mais devastadores da história da região.

Enquanto os moradores tentam seguir em frente, a cidade se transforma. Com telhados novos e um espírito resiliente, a comunidade de Rio Bonito do Iguaçu busca não apenas se reerguer, mas também lembrar e honrar aqueles que perderam suas vidas naquele fatídico dia.