A passarela das Cataratas do Iguaçu, um dos pontos turísticos mais icônicos de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, é fruto de um projeto audacioso que começou em 1992. A construção exigiu um desvio temporário do Rio Iguaçu, permitindo que os engenheiros trabalhassem em um dos trechos mais desafiadores da região, a fim de garantir a segurança e estabilidade da estrutura. Este desafio se intensificou após a passarela anterior, inaugurada em 1970, ser levada por uma cheia na década de 1980.
O engenheiro Márcio Marcon, que participou da obra, relembra as dificuldades enfrentadas ao longo do processo. A primeira tentativa de desvio do rio falhou diante da força das águas, que arrastou equipamentos e parte da estrutura. Contudo, a base de concreto permaneceu intacta, permitindo que a equipe repensasse a estratégia. O novo desvio foi realizado a quilômetros das quedas, permitindo que os trabalhadores perfurassem a rocha e instalassem fundações robustas.
A técnica utilizada, conhecida como estaca-raiz, é fundamental para a segurança da passarela. Com essa abordagem, os pilares são fixados diretamente na rocha, proporcionando uma resistência significativa contra as forças naturais do rio. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da empresa responsável pela execução das fundações, explica que essa estrutura deve suportar não apenas o peso da passarela e dos turistas, mas também a pressão da correnteza, que pode aumentar consideravelmente durante as cheias.
Após a construção, a segurança da passarela continua a ser uma prioridade. A concessionária Urbia+Cataratas realiza inspeções regulares e utiliza equipamentos que detectam até mesmo movimentos mínimos na estrutura. Desde o início desse monitoramento, não foram registrados deslocamentos nos pilares, o que demonstra a eficácia das técnicas empregadas.
A reabertura da passarela após uma cheia é um processo cuidadoso. A estrutura só é liberada para os visitantes quando a vazão do rio cai para abaixo de 8 milhões de litros por segundo e após uma minuciosa avaliação técnica. As equipes também monitoram as condições da bacia do Rio Iguaçu e os reservatórios das hidrelétricas para garantir a segurança dos turistas, reforçando o compromisso com a proteção da beleza natural da região.
Crédito da imagem: Conheça a história da construção das Cataratas do Iguaçu



