No Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, a descoberta de uma câmera oculta em um banheiro gerou um clima de indignação e preocupação entre os alunos e suas famílias. Marli da Silva Vinha, mãe de uma estudante, relatou que sua filha se trocou no local onde o dispositivo foi encontrado. A câmera foi descoberta por alunos no dia 19 de setembro, quando uma estudante notou um equipamento na parede que emitia uma luz vermelha. Ao investigar, descobriram que se tratava de um dispositivo de gravação.
De acordo com o boletim de ocorrência feito pelas estudantes, a câmera estava instalada há cerca de três anos, mas a direção do colégio havia alegado que o equipamento era um sensor de fumaça. A descoberta deixou os alunos em estado de choque, e Marli expressou sua preocupação: “A minha filha mal está comendo, mal está dormindo. Para onde foram essas imagens? Quem está com essas imagens? Quem viu essas meninas trocando de roupa?”, questionou ela.
Na quarta-feira (21), a Polícia Civil e a Secretaria de Estado da Educação (SEED-PR) realizaram uma vistoria na escola. O dispositivo foi apreendido, mas não está claro se outras câmeras ou equipamentos de gravação foram encontrados. A SEED, em nota, confirmou que não localizou câmeras nos banheiros durante a vistoria, mas anunciou a criação de uma comissão para investigar o caso.
O clima entre os alunos é de apreensão. Alessa Gabriele, outra estudante da instituição, relatou: “Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo”. Ela ainda destacou que não houve autorização dos responsáveis para a instalação de câmeras na área dos banheiros.
O colégio, por sua vez, reconheceu a instalação de câmeras, mas afirmou que elas estavam direcionadas apenas às entradas dos banheiros, sem captar imagens internas. A instituição ressaltou que o estudante que acessou o painel de monitoramento o fez sem autorização, e que atos de vandalismo ocorreram após a descoberta das câmeras.
A Secretaria de Estado da Educação afirmou que a instalação de câmeras em locais que comprometam a privacidade dos alunos é proibida nas escolas estaduais e que o caso será apurado com rigor. Uma equipe multiprofissional foi designada para atender os alunos e a comunidade escolar, visando restabelecer a confiança e a segurança no ambiente educacional.
Esse incidente levanta questões importantes sobre a privacidade dos alunos e a responsabilidade das instituições de ensino em garantir um ambiente seguro e respeitoso. Os desdobramentos da investigação certamente serão acompanhados de perto pela comunidade escolar de Cambé.



