Em Curitiba, a educação foi levada a novos horizontes, com salas de aula montadas em canteiros de obras e shoppings, proporcionando a trabalhadores a chance de concluir seus estudos. Admilson Figueiredo de Andrade, de 46 anos, é um dos beneficiados por essa iniciativa da construtora MRV, que desde 2011 tem implantado escolas em suas obras, impactando mais de 7 mil funcionários.
Admilson, que abandonou a escola aos 16 anos para trabalhar, sempre sonhou em retomar os estudos. “Quando surgiu a oportunidade de estudar com a MRV, não pensei duas vezes e me inscrevi”, relata ele, que agora troca o capacete pelo lápis três vezes por semana. Ao lado da professora Silvana Bárbara, ele e seus colegas desenvolvem atividades que vão da alfabetização à preparação para o Encceja, ajudando a resgatar o gosto pelo aprendizado.
O programa “Escola Nota 10” não só foca na educação, mas também traz benefícios significativos para a vida profissional dos participantes. Um levantamento interno da MRV revelou que 83% dos colaboradores desejam permanecer na empresa devido ao projeto, e 89% notaram um aumento na produtividade. “É emocionante ver a transformação na vida desses alunos. Alguns já conseguiram a certificação do Encceja e estão sonhando em fazer cursos técnicos e até faculdade”, afirma Silvana.
Uma experiência semelhante acontece no Park Shopping Barigüi, onde Kamila de las Mercedes Sanchez, uma jovem cubana de 22 anos, participa das aulas durante o expediente. Ela busca aprender o português e revalidar seus diplomas, enfrentando as dificuldades de se adaptar a uma nova cultura. “Chegar a um país onde não se fala a sua língua é desafiador. As aulas me ajudaram a me sentir mais acolhida”, explica Kamila.
Enquanto isso, o cenário da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede pública do Paraná apresenta uma realidade preocupante. A procura por essa modalidade tem caído, e dados recentes mostram que o número de matrículas na EJA no estado caiu 64,5% entre 2007 e 2025. Segundo especialistas, essa diminuição pode ser reflexo de diversos fatores, como a falta de informação e a necessidade de conciliar trabalho e estudo.
Luana Smeets, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, destaca que a queda nas matrículas não significa que o problema está resolvido. “Ainda há um grande número de adultos sem escolarização”, alerta. Ela sugere que uma alternativa para tornar a EJA mais atrativa seria integrá-la à Educação Profissional, que tem registrado aumento nas matrículas.
O novo Plano Nacional de Educação, sancionado em 2026, estabelece metas ousadas para a EJA, como alfabetizar 97% da população com 15 anos ou mais até 2030. No entanto, alcançar esses objetivos exigirá um esforço conjunto e um acompanhamento eficaz das políticas educativas.
Por meio de iniciativas como a da MRV e a adaptação da EJA, é possível oferecer novas oportunidades a muitos que, como Admilson e Kamila, sonham em mudar suas vidas através da educação. A esperança é que mais empresas e instituições sigam esse exemplo e contribuam para um futuro mais promissor para todos os trabalhadores.



