domingo, 01/11/2026

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Diário de Maringá

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Cultivo de erva-mate: uma tradição familiar que gera trabalho e união na comunidade

Na pequena cidade de Ilópolis, no Rio Grande do Sul, a erva-mate é mais do que um produto; é uma parte intrínseca da vida e da cultura local. A propriedade da família Greselle é…

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Na pequena cidade de Ilópolis, no Rio Grande do Sul, a erva-mate é mais do que um produto; é uma parte intrínseca da vida e da cultura local. A propriedade da família Greselle é um exemplo claro desse laço. Com 22 hectares plantados com entre 80 mil e 100 mil pés da planta, Danilo Greselle, Clair Franzon Greselle e a filha Larissa dedicaram os últimos 30 anos de suas vidas a cultivar esse símbolo da região.

Danilo, que ainda mantém sua rotina diária na propriedade, relembra o início da jornada: “Eu e minha esposa plantamos todos os pés, um por um. Foi um trabalho gradual, que exigiu muito esforço e amor. Hoje, ao olhar para o nosso erval, sinto uma enorme satisfação pelo que construímos.” Mesmo morando na cidade, ele não deixa de acompanhar de perto cada etapa do cultivo, desde a preparação do solo até a colheita, sempre de forma manual, ressaltando a importância do conhecimento em cada fase do processo.

O cuidado com a erva-mate na propriedade é um reflexo de uma tradição que remonta à história dos povos indígenas do Sul, especialmente os guaranis, que já utilizavam a planta há séculos. Em Ilópolis, essa herança cultural se manifesta em práticas antigas, como o uso do carijo, uma estrutura de madeira usada para a secagem artesanal da erva, que mostra como a preparação da planta evoluiu ao longo do tempo.

Dentro da casa dos Greselle, a erva-mate também é um elo que une a família. Após as refeições, o chimarrão se transforma em um momento sagrado, onde todos se reúnem para compartilhar experiências do dia. “Esse momento é uma das maiores riquezas que temos. É uma oportunidade de estarmos juntos, mesmo que tenhamos trabalhado em atividades diferentes durante o dia”, destaca Danilo, enfatizando que essa tradição contribui para a união entre gerações.

O olhar de Danilo para o futuro é otimista. Ele acredita que a erva-mate pode conquistar novos paladares e expandir seu uso. “É essencial mostrar às novas gerações que a erva-mate vai além do chimarrão. Há muitos novos produtos que podem ser desenvolvidos, e a planta tem muito a oferecer”, afirma. Essa busca por inovação, sem perder de vista as práticas tradicionais, é uma das chaves para o futuro do cultivo na região.

Além do cultivo, a família Greselle também se beneficia da parceria com a cooperativa Cresol, que tem sido um suporte importante para adquirir insumos e equipamentos. “Quando vou à Cresol, sinto que estou em casa. A relação é muito tranquila e próxima”, conta Danilo, ressaltando a importância da cooperativa em sua rotina.

A sucessão na propriedade é um tema que permeia as conversas familiares. Danilo reflete sobre o futuro e a possibilidade de seus filhos darem continuidade ao legado. “Meu pai me emprestou essa terra, e eu pretendo emprestar aos meus filhos. O que importa é que eles decidam o que querem fazer com isso”, afirma, expressando a gratidão por tudo o que aprendeu e a esperança de que a tradição continue viva.

Assim, entre colheitas e chimarrões, a erva-mate se transforma em um símbolo de união, tradição e aprendizado na vida da família Greselle, reafirmando seu papel essencial na cultura de Ilópolis e na conexão entre as gerações.