Recentemente, imagens impressionantes da passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, têm circulado nas redes sociais, mostrando a drástica transformação do local durante a cheia. Os vídeos, que mostram a passarela sendo submersa pela água, revelam a força do Rio Iguaçu, que alcançou um volume de 15,8 milhões de litros por segundo na última quarta-feira (14), mais de dez vezes acima da média histórica. A estrutura, que geralmente é um ponto de passagem para turistas que buscam admirar as quedas, teve que ser fechada devido ao aumento da vazão.
Neste dia, a água transbordou sobre a passarela, que permanece firme por conta de suas fundações robustas, cravadas na rocha. Essa técnica, conhecida como estaca-raiz, é a responsável pela estabilidade da passarela mesmo sob condições extremas. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, explica que a fundação é projetada para suportar as forças da correnteza, além do peso dos visitantes. A estrutura já enfrentou situações ainda mais severas, como em junho de 2014, quando a vazão chegou a impressionantes 46 milhões de litros por segundo.
A construção da passarela atual, iniciada em 1992 após a antiga estrutura ser levada por uma cheia nos anos 80, exigiu um desvio temporário do Rio Iguaçu. Márcio Marcon, um dos engenheiros envolvidos no projeto, recorda as dificuldades enfrentadas durante a obra, onde a força da água levou equipamentos e exigiu uma reavaliação estratégica. Com um novo desvio, a equipe pôde finalmente instalar as fundações necessárias.
Após cada cheia, a segurança da passarela é rigorosamente monitorada. Inspeções são realizadas para detectar qualquer movimento, por menor que seja, nos pilares que sustentam a estrutura. André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária responsável pelo parque, ressalta que até o momento não foram detectadas alterações significativas desde que o monitoramento começou.
Quando as chuvas aumentam a vazão do rio, as grades de proteção da passarela são removidas para permitir a passagem da água com menos resistência, evitando que troncos e outros detritos fiquem presos. Essa ação é parte de um protocolo de segurança que visa proteger tanto a estrutura quanto os visitantes.
A reabertura da passarela para o público só ocorrerá quando a vazão estiver abaixo de 8 milhões de litros por segundo e após uma avaliação técnica que comprove a segurança do local. A beleza e a força das Cataratas do Iguaçu continuam a impressionar, mas a segurança dos que visitam essa maravilha natural permanece como prioridade absoluta.



