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Diário de Maringá

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Governo do Estado se desculpa com ex-PM que confessou crime sob tortura e foi condenado

A cidade de Pitanga, situada na região central do Paraná, foi palco de um momento histórico na última quinta-feira (15). O Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas ao ex-policial militar rodoviário Gerson Milusk…

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A cidade de Pitanga, situada na região central do Paraná, foi palco de um momento histórico na última quinta-feira (15). O Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas ao ex-policial militar rodoviário Gerson Milusk de Carvalho, que passou anos encarcerado após confessar um crime sob tortura. Este ato de reparação ocorreu em resposta a uma recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que se debruçou sobre o caso desde 2003.

O enredo deste caso trágico começou em 1995, quando Gerson foi acusado de estar envolvido no assassinato de Wilson Schon e Irene Maria dos Santos. Apesar de sempre ter negado sua participação, ele foi condenado em 1997 a 26 anos de prisão, dos quais cumpriu nove anos. Sua condenação, baseada em provas obtidas sob tortura, foi amplamente questionada ao longo dos anos. A CIDH recebeu uma carta de Gerson, onde ele detalhava as brutalidades que sofreu durante a detenção, incluindo choques elétricos e afogamentos simulados.

Esse reconhecimento tardio da inocência de Gerson marca uma virada importante nas questões de direitos humanos no Brasil. Durante o ato, o Estado não apenas pediu desculpas, mas também se comprometeu a continuar investigando o caso e a responsabilizar os verdadeiros culpados pelo crime. O defensor público Carlos Eduardo da Silva destacou que essa vitória vai além da indenização para Gerson e sua família, pois representa uma mudança significativa na postura do sistema de justiça em relação a casos de tortura.

Gerson, que durante sua prisão se dedicou a estudar Direito e a buscar maneiras de provar sua inocência, expressou um misto de alívio e tristeza ao receber o reconhecimento de sua inocência. Ele lamentou o tempo perdido com a família e afirmou que a experiência foi dolorosa, mas a persistência e a força de sua filha, Joicy, foram fundamentais para manter a unidade familiar em meio ao sofrimento.

Além de Gerson, o ato também trouxe à tona o papel violento do Grupo Águia, da Polícia Militar do Paraná, que usou métodos brutais para forçar confissões durante investigações. O tenente-coronel Valdir Copetti Neves, um dos responsáveis pelas torturas, já havia sido condenado por outros crimes e acabou assassinado em 2018. O padrão de abusos revelado por esses casos evidencia a urgência de reformas que garantam a proteção dos direitos humanos e a prevenção de novas atrocidades.

A Procuradoria-Geral do Estado e a Defensoria Pública consideram este pedido de desculpas um passo importante na luta contra as violações de direitos humanos. O Ministério Público do Paraná também se comprometeu a buscar reparações e a investigar as violações ocorridas, reafirmando seu papel na proteção das vítimas. Com o reconhecimento de Gerson, espera-se que outros casos semelhantes não se repitam e que a justiça seja restaurada para aqueles que sofreram injustamente.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Makalu (pixabay)