As cidades médias do Brasil, como Londrina, estão vivendo um momento de crescimento no setor imobiliário que antes era exclusividade das capitais. Em 2025, o país registrou a venda de 426.260 unidades residenciais, um recorde histórico segundo a CBIC. O IBGE revela que, de 2010 a 2022, 12,3 milhões de novos habitantes se mudaram para municípios de porte médio, com Londrina se destacando nesse cenário.
Em 2024, Londrina bateu um recorde em lançamentos imobiliários, com um VGV de R$ 3,3 bilhões, superando em R$ 1 bilhão o valor do ano anterior. A cidade ocupa a 13ª posição no Índice de Demanda Imobiliária Nacional no segmento econômico, com um valor médio do metro quadrado que valorizou 6,86% em um ano. Para o economista Emerson Esteves, da Universidade Estadual de Londrina, esse crescimento está intimamente ligado ao agronegócio, que sustenta a renda local e atrai novos moradores.
Com 580 mil habitantes e um PIB de R$ 28 bilhões em 2023, Londrina se destaca como um dos principais polos econômicos do interior do Paraná. O mercado de trabalho local também é promissor, com a cidade liderando a geração de empregos formais no Sul do Brasil em 2025 e já acumulando 4.215 novas vagas no primeiro semestre deste ano. Essa combinação de fatores faz com que a cidade siga a tendência nacional de moradias cada vez menores, refletindo uma mudança no comportamento habitacional.
O Censo 2022 do IBGE apontou um aumento significativo no número de domicílios unipessoais, especialmente entre jovens adultos. Londrina, com sua forte presença universitária de cerca de 25 mil estudantes, e eventos de grande porte como a ExpoLondrina, demanda cada vez mais apartamentos compactos. A cidade enfrenta um déficit de moradias para temporada e apartamentos de um dormitório, com menos da metade das unidades necessárias disponíveis, o que abre espaço para o crescimento do mercado de studios.
O novo empreendimento Harbor 360º, que será construído na região do Terra Bonita, é um exemplo dessa tendência. Com 256 studios e 27 lojas comerciais, o projeto visa integrar moradia, serviços e lazer em um só lugar. Essa área, que está se valorizando rapidamente, recebeu melhorias na infraestrutura, como a duplicação da Av. Otavio Genta, e já conta com uma série de novidades que prometem atrair ainda mais moradores e investidores.
O CEO da AVIV, Felipe Rossetto, aponta que Londrina possui características semelhantes às de Curitiba, onde o mercado de imóveis compactos já se consolidou. A tendência de procura por apartamentos menores, impulsionada pelas altas taxas de juros e a necessidade de maior rentabilidade, se mostra promissora. Com a expectativa de queda na Selic, mais famílias poderão acessar o crédito habitacional, aquecendo ainda mais o mercado local.



