Um clima de preocupação tomou conta da comunidade escolar em Cambé, no Norte do Paraná, após a descoberta de câmeras em banheiros de um colégio cívico-militar. Na última segunda-feira (19), uma aluna encontrou o primeiro equipamento em um banheiro feminino, levando a uma série de investigações e medidas por parte das autoridades. Agora, a Secretaria de Educação do Paraná (Seed-PR) mandou que os zeladores de todas as instituições do estado verifiquem a presença de câmeras em locais similares.
Desde a revelação do primeiro caso, duas câmeras foram apreendidas, sendo a última no banheiro masculino na quinta-feira (22). A situação gerou o afastamento de policiais militares que atuavam na escola, bem como da diretora e do vice-diretor. O secretário de Educação, Roni Miranda, anunciou uma resolução que proíbe explicitamente a instalação de câmeras em banheiros e vestiários nas escolas do estado.
O Ministério Público está acompanhando de perto o caso, investigando tanto na esfera civil quanto criminal. Embora detalhes sobre as possíveis infrações ainda não tenham sido divulgados, a 4ª Promotoria de Justiça de Cambé está encarregada de esclarecer os fatos. A administração do colégio afirmou que as câmeras estavam direcionadas apenas para as portas de entrada dos banheiros, sem captar imagens do interior, mas estudantes como Alessa Gabriele expressaram seu desconforto, afirmando que não havia autorização para gravações em um espaço tão íntimo.
Após a descoberta, um aluno conseguiu fotografar o sistema de monitoramento do colégio e compartilhar as imagens. O boletim de ocorrência feito pelas alunas indicou que o equipamento estava ali há aproximadamente três anos, e na época, a administração alegou que se tratava de um sensor de fumaça. A comunidade escolar está perplexa e exigindo respostas sobre como a privacidade dos alunos foi comprometida.
A Seed-PR reiterou que a instalação de câmeras que invadam a privacidade dos alunos é estritamente proibida e que este caso será tratado com total seriedade. Uma equipe multiprofissional já está na instituição para oferecer apoio aos alunos e à comunidade enquanto as investigações continuam. A situação ressalta a importância de se respeitar a dignidade e a privacidade dos estudantes em ambientes educativos.



